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O ciclo da borracha foi um período de intensa exploração do látex, um tipo de seiva branca, extraída da seringueira e usada para a produção da borracha.

Com o avanço econômico da Europa impulsionado pela revolução industrial, a borracha se tornava cada vez mais indispensável. 

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As propriedades elástica e isolante fizeram do produto matéria prima para a construção de diversos outros produtos, como pneus e máquinas, por exemplo.

Dessa forma, a operação extrativista na Amazônia se mostrou bastante lucrativa tão logo começou a ser executada.
Quer saber mais sobre essa época de grande importância para o desenvolvimento econômico da região amazônica? Confira este artigo que a FM Onda Digital preparou para você.

O início do ciclo da borracha

Além do ferro e dos combustíveis fósseis, a borracha era um dos pilares que sustentavam a revolução industrial.

As expectativas de lucro despertaram o interesse de empreendedores do Brasil e do mundo. Isso deu início a um grande fluxo de pessoas em direção ao norte do Brasil, em especial para Manaus, Belém e Porto Velho.

Esse fluxo foi tão intenso que Manaus saiu de 3 mil para 50 mil habitantes no período de 1830 a 1850.

Aliada às promessas de lucro nos seringais, a grande seca que atingiu o Nordeste no fim do século XIX intensificou ainda mais a migração para o Norte. 

Estima-se que 300 mil nordestinos se aventuraram pela Amazônia em busca de uma vida melhor entre 1870 e 1900.

Como era feita a borracha?

A borracha era produzida a partir de um método conhecido como vulcanização: um processo de aplicação de calor e pressão, e adição de enxofre ao látex.

Havia produção de borracha em outros lugares, mas nenhuma se comparava à borracha produzida da seringueira Hevea Brasiliensis, que existia somente na Amazônia.

No Brasil, a cadeia produtiva da borracha tinha três principais figuras, que eram o seringal, o seringueiro e o seringalista. 

O seringal era o lugar onde ficavam as árvores de onde se extraía o látex. O seringueiro era o trabalhador que se dedicava à extração, e o seringalista era o patrão, que fornecia as ferramentas de trabalho.

Os três eram unidos por meio de um sistema de crédito chamado aviamento. Esse sistema tinha como base uma relação de dependência do empregado ao patrão por meio de uma dívida impossível de ser paga. 

Nesse sistema, o patrão vendia a crédito os materiais de trabalho e fornecia os mantimentos para a sobrevivência dos empregados nos seringais. A dívida deveria ser paga exclusivamente pela extração do látex. 

Contudo, a dívida projetada pelos patrões superava a produtividade dos seringueiros, tornando-a impagável. 
Assim, os seringueiros tinham de se submeter a árduas jornadas de trabalho com a esperança de quitar o débito adquirido. Era um regime análogo à escravidão.

Como foi o auge do ciclo da borracha?

O apogeu do ciclo da borracha aconteceu entre os anos de 1879 e 1912. Neste último ano, a produção chegou ao incrível patamar de 42 mil toneladas.

A alta valorização da borracha causada pela revolução industrial assegurou um grande desenvolvimento econômico para a região amazônica, em especial para a cidade de Manaus. 

A cidade foi uma das primeiras do Brasil a ter distribuição de energia elétrica. Além do mais, em um curto período, ganhou bondes elétricos, ruas pavimentadas e comércio bastante movimentado.

Todos os elementos da urbanização, como casarões, bares e restaurantes, eram construídos de forma a imitar a vida na Europa.
A influência europeia foi tão marcante que Manaus chegou a ser conhecida como “Paris dos Trópicos”. O monumento mais marcante dessa influência é o Teatro Amazonas.

O conflito pelas melhores seringueiras

O látex extraído da seringueira de terra firme é de maior qualidade que o da árvore de região de várzea. Como estas são inundadas periodicamente, o látex da seringueira de terra firme tem uma menor concentração de água, ou seja, é mais puro.

A maior parte das seringueiras de terra firme estava na região do Acre, que pertencia originalmente à Bolívia.

Assim sendo, tal região era de grande interesse econômico para o Brasil. Entre 1902 e 1903, o Acre foi centro de grandes conflitos e assunto de relevância mundial.

Em 1903, o Tratado de Petrópolis pôs fim à disputa territorial entre Brasil e Bolívia. O atual estado do Acre foi oficialmente anexado ao território brasileiro.

O contrabando de sementes foi o estopim para o declínio

No Brasil, a maior parte das seringueiras eram nativas da floresta e ficavam naturalmente espalhadas pela mata. Era necessário abrir trilhas de longas distâncias para chegar às árvores. Esse fator, aliado ao sistema de aviamento, tornava os custos de produção da borracha muito altos.  

Em 1876, o botânico inglês Henry Wickham contrabandeou cerca de 70 mil sementes de seringueira. Parte delas foi para a Malásia. Lá, elas foram plantadas de maneira que facilitasse o processo de coleta do látex. 

Assim, em 1910, as árvores já haviam se tornado altamente produtivas, despertando o interesse de investidores internacionais. 

Com o produto de qualidade superior, por um preço muito mais atraente em relação ao do Brasil, a Malásia ganha preferência do mercado internacional. 

A partir de 1913, devido à concorrência, a Amazônia passa a perder espaço no mercado e vê o fim do primeiro ciclo da borracha na região.

O segundo ciclo da borracha

Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses invadiram a Malásia e tomaram controle dos seus seringais.

Como a borracha era um item fundamental durante a guerra, os Aliados (França, Inglaterra e Estados Unidos) precisavam de um novo fornecedor. 

Era a situação perfeita para que a produção em larga escala na Amazônia fosse retomada. 

Contudo, não havia mão de obra suficiente e o exército brasileiro precisou recrutar um contingente para realizar essa atividade, os soldados da borracha.

Com o fim da guerra, o acesso à Ásia foi restabelecido. A borracha brasileira se desvalorizou novamente, encerrando o segundo ciclo da borracha.

Atualmente, a Malásia ainda é referência na indústria da borracha, junto à Tailândia e Indonésia.

Agora que você já conhece mais sobre a relevância econômica que o ciclo da borracha teve para o desenvolvimento da Amazônia, não deixe de conferir nossos outros artigos. Leia também: 5 Belos Pontos Turísticos da Região Norte Para Você Conhecer

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